Ironman 5i50 race report
Provas |  03 de julho de 2016
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Já se passou quase uma semana e eu refiz esse race report 2 vezes. Sim, fui boba suficiente de não salvar ele no word ou algo do genero e perdi aqui no blog. Não aprendi que não se faz isso ainda haha

Queria começar dizendo que: eu ainda não acredito que terminei! Talvez, para a maioria dos triatletas, completar um triathlon distância olímpica não seja lá grandes coisas. Mas esse, em especial, foi para mim. Como vocês devem lembrar fiz um mini triathlon na semana anterior ao 5i50 abaixo de chuva, vento, e frio. Como resultado, uma gripe que foi pesadíssima. Dor de garganta, sinusite, e todos aqueles sintomas que acompanham a peste.

Enfim, o que eu ia fazer? Minha vontade era de ir treinar mesmo assim e mandar meu corpo reagir. Mas não é bem assim né? Comecei com os remédios no domingo a noite já e tentei ficar bem quietinha. Como sabia que a natação ia ser osso, foi a única coisa que fiz na semana que deveria ser de polimento. Na quinta-feira eu já tinha decidido: não ia ter como! Porque, simplesmente, eu não melhorava. Tomei meus remédinhos e decidi dar uma chance pra natação no lago que seria a prova na quinta. Outra constatação: sem conseguir respirar direito e com pânico não iria terminar a prova. Era tipo ver um sonho indo pelo ralo, uma frustração que não cabia, e aquela vontade de largar tudo. Para ajudar ouvi de alguém “você não vai conseguir, deveria se inscrever para o sprint no dia anterior”. Pra quê, né? Em contrapartida em uma das minhas falhas tentativas de nadar até a primeira bóia da natação ouvi alguém me chamar na beira do lago.

Quando cheguei até lá era uma mulher nos seus 40 anos e me perguntou o que estava acontecendo. Meio que chorei e disse que eu não ia conseguir. Então ela me contou a história dela e a passagem que fez pelo triathlon, dentre elas o Ironman (esse ano está “somente” fazendo ultra maratonas hahaha). E começou a me desafiar a ir até a primeira bóia, depois até a segunda, conversamos sobre como me senti em cada ida e vinda… Tomei meu tempo. A água não mudava dos 100m aos 500m, era tudo coisa da minha cabeça. Voltei para casa impressionada e triste por não ter visto mais ela no fim para agradecer.

Bom, como não é novidade: eu consegui!! Sexta a tarde retirei meu kit, meio tremendo já de nervoso vendo a linha de chegada e transição. No sábado, acordei bastante melhor e fiz o check-in da bike. Quando cheguei estava reposicionando as bóias da natação para o próximo dia, cada pouco mais e mais nervosismo. Fui no race briefing, entendi como funcionaria tudo e vim para casa… Sábado a noite só descansei, ouvi minhas musiquinhas, vi meu seriado… E decidi: eu vou, com medo, sem medo, eu vou! O maior medo era mais de chuva e a previsão do tempo estava mudando a toda hora.

Enquanto isso, no celular amigos mandando boa sorte, outros dando algumas últimas dicas, e o coach complementando com o que faltava. Deixei tudo organizado. Saímos domingo cedo, deixei as minhas coisas na T2 para a corrida (tênis, gel, número) e fomos para a largada (~40km da cidade).

Chegando no parque nacional que seria a natação uma nova surpresa (ou nem tanto para Saskatoon): vento!! Como resultado bastante onda no lago (que faz parte do rio), ou seja, mais um obstáculo. Além disso, a temperatura não estava ajudando, aproximadamente 14oC. Contudo, a boa notícia é que wetsuit havia sido liberado (água a 21oC). Organizei a bike, coloquei tudo na ordem da minha T1, visualizei cada passo, respirei fundo e fui pra linha de largada. Vesti o wetsuit, com ajuda do pessoal haha, e agora não tinha mais choro. Sabe quantas vezes pensei “por que eu faço isso?”, milhões. Hahaha E aquela frase “você não vai conseguir” ficou soando na cabeça como um desafio: ninguém me diz que não vou conseguir!

 PS: todas fotos estão na galeria após o post.

Natação

Aquecimento estava liberado desde as 7:30am, minha largada seria as 8:00am, junto com praticamente todas as mulheres. Nessa hora eu vi que não era a única, todos estavam na mesma situação, muitos com um currículo no triathlon BEM maior que o meu e tremendo de medo hahaha. Mergulhei, nadei um pouco, enchi o wetsuit com água e voltei pra linha de largada. Nessa hora começou a tensão maior, fiz minha reza, ouvi o hino do Canadá… Chorei! E então disseram que faltavam 5s para começar e que o próximo som seria a buzina. E assim foi. Sem tempo para piscar os olhos.

Na Natação eram duas voltas de 750m dentro do lago, sendo que toda ida era contra a correnteza, depois correnteza na lateral, e finalmente a favor. Fiz tudo que me ensinaram, cantei uma música na minha cabeça, foquei na pessoa a minha frente, rezei muito, parei para tossir (ainda estava complicado para respirar)… E, claro, que não foquei muito em técnica. Fiz o que pude e dei o melhor que tinha para oferecer. Aliás, gostei tanto de nadar que fiz alguns metros a mais nessa loucura de correnteza aqui e ali, fechando natação com 1675m segundo meu Garmin.

 

T1

Tive um pouco de dificultade de abrir o meu wetsuit, até achar a corda que tinha prendido no velcro de uma forma bizarra. Mas a corrida até a bike era de uns 300m, tinha tempo. Consegui tirar ele bem rapidinho, colocar na sacola junto com meu óculos e touca. As bikes estavam muito perto uma das outras, quase esqueci de afivelar o capacete, mas no fim deu tudo certo. O tempo de T2 não foi dos melhores, mas 2:13 min não é assim tãoooo ruim.

 

Bike

Adivinhem? Vento contra e frio, e o melhor era saber que ele não iria mudar por, pelo menos, 30km haha. Mas já tinha passado pela pior parte, a natação, tudo que viesse seria lucro. Montei na bike, comecei um pouco mais leve, até o corpo perceber a mudança. Nos 20 min comi meu primeiro gel e tomei água. Mas estava muito difícil respirar com nariz trancado e vento contra. Lá pelo km 17 comecei a ter cãibra, nunca tive na minha vida cãibra na coxa, e assim foi até o final. Pedalava um pouco, alongava um pouco, bebia gatorade. Pedalava mais um pouco, mudava de posição na bike, bebia gatorade. E assim fui levando. Aproveitei para comer Cliff Bloks durante a bike também, estava com muita fome. E nos ultimos 7km consegui fazer uma melhor média e a todas que volta e meia me passavam eu pensava: espera a corrida! Hahaha

 

T2

Fiz a T2 bem mais rápido, mas poderia ter ganho mais tempo, pois as bikes estavam muito perto tendo, sei lá, uns 15cm para eu encaixar a minha no rack. Finalmente consegui, então coloquei meia, tênis, peguei o gel e fui. Fechei transição em 1:29 – na semana anterior tinha sido por volta dos 40 segundos – poderia ter sido melhor.

 

Corrida

Dentre as três modalidades, a corrida é meu forte, sou muito confiante. A perna não incomodou. Sai forte já, me sentindo muito bem. Tomei água nos 2.5 km, 5.0 km, e 7.5 km. Era bem plano o lugar da corrida, na beira do rio, e estava bem mais quente nessa hora. Na verdade, eu nem sentia mais nada, só via a linha de chegada. E assim fui indo, sorrindo, chorando, vibrando… Aquela energia sensacional que os últimos km de uma prova sempre proporcionam. As pessoas ao redor da linha de chegada foram sensacionais, torcendo, gritando, dando força a cada triatleta. E quando chegou aquele último corredor da linha de chegada, comecei a ver os símbolos do IM, e sabia que estava no lugar certo e feito, mais uma vez, a escolha certa!

 

Para os que levam em consideração tempo… Não, não fiz no tempo que esperava, fechei em 3:05:19. Queria ter fechado em menos de 2:50. Porém, levei em consideração meu cansaço, minhas dores, medos, e a superação do dia foi: terminar a prova! E o melhor foi ver em vários momentos meus amigos, que me deram força em todos os momentos da prova, e não pararam de dizer que eu ia conseguir, mesmo vendo no rosto deles a preocupação. E na linha de chegada aquela merecida Erdinger, mesmo que sem álcool, para brindar com eles a felicidade de ter chego.

 

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Sobre a prova tirei muitas lições, entendi meus erros, e sei onde devo focar nas próximas. E é assim que evoluímos. Próximo passo talvez um quase meio Ironman, mas ainda está somente nos planos. Meu obrigada especial vai para TSK Assessoria Esportiva que me ajuda e muito a tornar esses momentos inesquecíveis e possíveis. Minha família que acompanha, sofre, e torce comigo a cada nova competição, mesmo de longe. Meus amigos que, de longe ou perto, me mandaram as melhores e mais sinceras energias positivas. Essa conquista é de todos nós!! :D

 

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