Desenho animado ou vida real?
Novidades |  01 de fevereiro de 2016
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Semana passada postei uma foto falando sobre a natureza e o quanto me encanta. Especialmente aqui no Canadá, onde ela parece mais pura e menos transformada pelo homem. Esse final de semana pude conhecer um pouco mais dessas belezas com a famosa pescaria no gelo (ice fishing). Sinceramente, achei que so existisse em filme ou desenhos animados, mas existe gente!
Ainda estou meio sem acreditar e vai ser difícil colocar em palavras, até mesmo em fotos, o que é presenciar tudo isso. Uma paisagem e experiência inesquecíveis. Saímos de Saskatoon na sexta e foram 4,5h de carro até lá, o lago se chama Keeley Lake (mapa abaixo). Na estrada já começou a grande aventura, pois como a temperatura aumentou semana passada (acima de 0 graus Celsius) boa parte da neve descongelou e re-congelou quando voltou a fazer temperatura negativa. Com isso, fica uma camada de gelo pior que sabão, eu diria. Além disso, a paisagem impressiona, porque o terreno é muito plano e é possível ver quilômetros de distância, já que poucas pessoas moram no norte da província – basicamente fazendas.
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O grande dia da pescaria seria no sábado, então, na sexta-feira deixamos tudo preparado para acordarmos cedo e irmos. A expectativa era muito grande, mal consegui dormir a noite, tipo criança antes do Natal. Ao mesmo tempo, estava com medo, afinal quem confia em dirigir no gelo sabendo que tem mais 10 metros de água embaixo? Naquela altura do campeonato só restava confiar.
Por volta das 7 horas da manhã começamos a nos organizar. Como não estava tão frio (-7 graus celsius; sensação de -12), vesti uma calça térmica e calça de skii, por ser impermeável e proteger do vento, duas meias com aqueles “toes warmers” (funcionam muito bem) e botas de neve; na parte superior, camiseta térmica, moletom, jaqueta de neve, luvas impermeáveis e touca. E não passei frio! Saímos e seguimos para um lugar já marcado no GPS. O maior frio na barriga foi quando começamos a dirigir no gelo, um barulho único, diferente, e a sensação então? Só sabia pensar em alternativas para sair do carro caso quebrasse o gelo. O mais interessante que no próprio gelo havia uma estrada, onde pessoas já haviam ido e voltado várias vezes. Seguimos nela por aproximadamente 5.7km.
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Pol e Eu na nossa casa temporária haha
Chegamos bem até um dos pontos e começamos a montar o “acampamento” – barracas para nos proteger, preparar as varas com iscas e fazer os buracos onde iríamos pescar. As barracas, conhecidos “huts”, são montáveis que nem barracas normais, mas não possuem a parte inferior (foto acima), com isso são colocadas ao redor dos buracos e você fica la dentro protegido do vendo e frio. Como isca usamos carne ou pequenos peixes (minnows). Já os buracos são feitos com uma máquina (“Ice cutter”). Fiz apenas um buraco e achei pesado, tem que fazer bastante força, além do risco de molhar os pés – nada legal quando ela está aproximadamente 4 graus e você tem que passar o resto do dia lá pescando.
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 “Huts” montados
Baseado em todo trabalho que se tem para montar o “acampamento”, pescar se torna a atividade mais fácil. Contudo, me saí muito melhor ajudando a organizar o acampamento do que pescando, hahaha, os dois únicos peixes que chegaram perto de serem pegos por mim, o primeiro fisgou, fisgou, comeu a isca e fugiu, e o segundo arrebentou a linha. Mas que nada, nos próximos anos de ice fishing vou poder dizer que estou ganhando experiência hahaha. Como meu buraco não estava para peixe, contei com os amigos para garantir nossa janta. Conseguimos chegar em casa com 4 peixes (1 jack fish e 3 walleyes) ambos muito bons. O segundo dia, domingo, toda mesma função na parte da manhã, e pegamos mais alguns pequenos.
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Amanhecer no lago (8:30 da manhã) – toda parte branca da foto é água congelada – o sol e a lua juntos.
Apesar de pouco peixe e essa nova experiência, o que mais me surpreendeu foi a natureza. Primeiro o fato de poder andar no gelo, sem maiores problemas. Depois o amanhecer do sol com a lua ao lado – um fascinante contraste do branco do rio congelado com as cores azul, violeta e laranja. E, também, em como conhecemos poucas coisas e lugares no mundo, nunca imaginei poder fazer um programa como esse. Tenho muito a agradecer por poder vivenciar tudo isso e me permitir, ainda estou sem acreditar – as fotos farão vocês entenderem o porquê.
Ah! E não achem que não teve treino, porque carregar todo equipamento, andar de um lado para o outro de bota na neve, o sol, o vento, tudo resultou em muitos passos e cansaço. Mas posso dizer, sem dúvida alguma, que valeu MUITO A PENA, foi de renovar as energias.
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Voltinha de snowmobile após a pescaria
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  1. Gabi disse:

    Patiii! Quanta coragem! Eu ficaria morrendo de medo ao andar de carro sobre este gelo! Adorei a ideia do Ice cutter…uma ferramenta específica para furar o gelo, imagina aqui não teria nenhuma utilidade!

    Pelas fotos parece que a gente consegue ver a terra redonda kkkk onde não consegue ver o fim…simplesmente único e lindo.