Qual selim escolher?
Equipamentos |  22 de fevereiro de 2016
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Essa semana estava procurando alguns modelos novos de Selim para minha bike, e me perguntei: mas e aí, qual devo escolher?

Assim como muitos outros tantos equipamentos para bike, os selins também são específicos para cada ocasião e/ou funcionalidade. Isso não significa que você deve ter diversos selins e trocar a cada saída de bike, mas sim que há como encontrar um que se adeque às suas necessidades. A escolha deve estar relacionada à flexibilidade e ao posicionamento do atleta na bike, assim como altura, nível  e recuo adequados do selim, largura e formato. Além do correto tamanho de quadro, mesa e canote da bike.

Visando diminuir as queixas e desconfortos (muito comuns) em relação aos selins, muitas marcas desenvolveram dispositivos que ajudam na escolha. Uma forma bastante utilizada é medindo a distância entre os ísquios (ossos localizados na parte inferior do quadril, usados na sustentação do corpo quando sentado). A medida é simples, uma régua com uma almofada em que a pessoa senta e fica marcado na espuma o formato dos ossos (Figura 1), sendo possível determinar a distância entre os mesmos. Como essa medida e o peso diferem de pessoa para pessoa, bem como entre homens e mulheres (diferente anatomia, maior distâncias nas mulheres) (Figura 2),  diversos tamanhos de selins estão disponíveis podendo variar de 110mm a 230mm de largura.

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Figura 1. Exemplo do conhecido “ass-o-meter” (Fonte)

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Figura 2. Diferença dos ísquios femino e masculino (Fonte: Pedaleria)

Além da medida da distância, outros detalhes são podem ser levados em consideração, como selins sem a cavidade central desenvolvidos para os homens devido ao períneo e a força exercida no local em pedaladas mais distantes (peso e pressão resultando em formigamento). Contudo, é preciso cuidado, pois algumas marcas desenvolvem o selim baseado em estudos médicos e utilizando de muita física e tecnologia, já outras, fazem apenas uma parte vazada, podendo ser que esta parte comprima ainda mais a região do períneo em vez de aliviar a tensão.

Outros detalhes poderão ser ajustados durante o bike fit, em relação ao selim e canote. Por exemplo, o alinhamento do selim pode ser realizado com um nível ou um recipiente retangular com água apoiado no selim (não muito preciso), podendo observar a variação de nível – ajustes devem ser realizados até estar dentro do nível (Figura 3). Também, outro ponto importante é a posição do selim na peça em que o selim fica preso ao canote (conhecido “carrinho”), dependendo do bike fit e biotipo, a posição varia.

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Figura 3. Nível do selim (Fonte: Pedaleria)

Vale a pena ficar de olho no estilo/modalidade de bike que está utilizando para não descaracterizar o produto. Ou seja, bikes road e/ou MTB geralmente possuem selins mais finos se compactos, por serem mais leves e aerodinâmicos. De outro lado, bikes de passeio (Cruiser, Beach Bike), possuem selins mais largos que, em alguns casos, contém até amortecimento.

ATENÇÃO: cuidado com os selins com grande densidade de espuma e/ou gel, nem sempre são tão confortáveis quanto parecem, dependendo da qualidade. Isso porquê com o peso e pressão do corpo, tanto a espuma quanto o gel comprimem e podem danificar rapidamente.

 

E para triathlon? Por que possuem aquele formato “diferente”?

Normalmente, os triatletas se sentam na ponta do selim, pois isso gera uma posição mais confortável para se pedalar várias horas e economiza alguns músculos para a corrida. Sendo assim o apoio, que neste caso é maior no períneo do que nos ísquios, faz com que os selins de triathlon tenham um amortecimento maior na parte da frente. Os bons selins de Triathlon possuem um nariz mais largo e longo, permitindo mais estabilidade na pedalada e maior conforto para permanecer clipado (Figura 4). E posso dizer que, por experiência, esse “alongamento” no selim dá um maior conforto no pedal. Não tenho do que reclamar do selim da Slice – um Cannondale Ergo Tri.

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Figura 4. Michelle Vesterby em Kona 2015 na posição aero (arrasou na bike personalizada né? <3)

Recentemente uma tendência entre os triatletas são os “selins anatômicos”, os selins “sem ponta” (Figura 4). Como o atleta se posiciona mais à frente do selim há uma melhora da aerodinâmica e essa posição, também, mantém um ângulo mais aberto no ponto alto do pedal o que melhora tanto o início do ciclo da pedalada como a respiração (menos compressão do diafragma). Esse conforto resulta em maior rendimento e movimento do quadril. Há controvérsias no uso desse estilo para atletas de quadril estreito, por sentirem incômodo com o excesso de apoio oferecido pelo selim e desconforto na parte interna das coxas.

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Figura 5. Exemplo de selim para triathlon (Fonte: Specialized)

Seja atleta de final de semana, endurance, performance, ou qualquer tipo,  é preciso, como para a compra de todos os equipamentos, fazer uma boa avaliação das suas necessidades, como o uso da bicicleta, quantidade de treinos, shorts/bretelle que está sendo utilizado, tamanho, estilo de bike, entre outros. É legal fazer alguns testes e consultar o bike fitter questionando sobre esses pontos que listei que são importantes na escolha. Espero ter ajudado pessoal! :D

 

Fontes:

PedaleriaPra Quem Pedala ; Total Women Cycling ; Ativo ;

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