Resultado Biomecânica
Bem-Estar |  31 de janeiro de 2017
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Enquanto estive no Brasil tive a oportunidade de consultar com um especialista para avaliar meus joelhos e fazer alguns exames. Dentre eles, fiz o teste de Biomecânica da Corrida que já fiz um post aqui no blog sobre (Clique aqui). Aproveitei que havia feito exame de ressonância (o qual indicou Condromalácia patelar e síndrome da banda iliotibial – eita, o que é isso? Já explico) e com recomendação do médico, realizamos o teste para avaliar se minha biomecânica estava ok para ajudar no tratamento – E adivinhem? Nada muito ok!!

Gente, a avaliação não dói, não demora, e é em um ambiente super legal. Primeiro fiz uma breve consulta com o Maciel (fisioterapeuta responsável) e respondi a um questionário, passando em seguida aos testes. Dentre eles, força de core, inclinação do tronco, Y balance, podoscópio, dorsiflexão, e o teste de corrida em estaira com os pontos marcados para avaliação. Esse teste de corrida é bem legal, pois ele já mostra o feedback em tempo real de como está sendo a corrida. Mesmo sendo uma avaliação visual, é possível notar de cara alguns erros mais gritantes (no meu caso, judiação hahaha) e tentar corrigi-los momentaneamente. No total, os testes não levaram mais de 1 hora.

 

Todos os testes são entregues e descritos em um laudo, com sugestões de tratamento. Como esperado o resultado foi: “Considera-se que a condropatia e a síndrome da banda iliotibial encontram-se em fase aguda exigindo bastante atenção para o controle dos sinais e sintomas”. Para quem não entende muito, assim como eu, a condropatia patelar é basicamente o amolecimento ou desgaste na cartilagem que reveste a patela (rótula do joelho), o que é causado por motivos mecânicos ou anatômicos. Já a síndrome da banda iliotibial é, em palavras bem simples, dor na lateral de fora do joelho ao pisar ou apalpar. Segundo o site Ativo, a síndrome é uma tensão ou inflamação do tecido conectivo entre a banda iliotibial (que se estende desde o quadril e continua pela região de fora da coxa até próximo do joelho) e a banda do lado de fora do fêmur (“banda” = área). A patologia atinge cerca de 12% dos corredores e ocorre quando existe uma tração excessiva da banda (como se fosse um alongamento forçado em alta velocidade). Tal tração está relacionada com a biomecânica da corrida, como a rotação interna do joelho, adução do quadril, ou o drop pélvico contralateral (CEPEF).

Essa dor lateral no joelho começa pequena, bem “desprezível”, e vai aumentando com o passar do tempo obrigando o corredor a reduzir volume de treino – sim, comigo ela começou a doer nos 15km, depois nos 12km, até chegar a não suportar correr mais que 4km.

E agora, José? Como tratar? Maciel fez algumas sugestões:

1) Muita fisioterapia com alongamento e liberação da banda iliotibial (Vídeo);

2) Treinos de fortalecimento – foco especial em glúteo médio, quadríceps e “core”;

3) Treino proprioceptivo unilateral e bilateral (treino de antecipação) (Vídeos)

4) Treino específico para melhoramento de técnica de corrida (Vídeo)

5) Corrigir adução da passada do membro inferior direito (utilizando o Feedback em tempo real – confira aqui);

6) Melhorar amplitude de movimento para dorsiflexão (Vídeo);

7) Alterar apoio inicial para mediopé;

8) Periodização de treinamentos – aqui entra o coach que vai saber conduzir da forma menos agressiva ao corpo.

E CUIDADO mulheres: nós temos mais propensão a ter esse tipo de lesão, ou seja, estudos comparativos mostram que o índice de lesões em corredores de rua é 7 vezes maior em mulheres do que em homens. Pesquisadores afirmam que as atletas exibiram um tempo de recrutamento muscular mais prolongado, por exemplo: o comando vindo do cérebro para que grupos musculares sejam contraídos e amorteçam uma aterrissagem chegaria “atrasado” em alguns músculos da pelve e da coxa, fazendo com que os joelhos rodem para dentro aumentando a pressão e aumentando risco de lesão crônica nos tecidos, principalmente a cartilagem patelar (CEPEF).

Bastante coisa né gente? Contudo o resultado não é a curto prazo. Hoje tenho feito poucos treinos de corrida, muitos exercícios educativos, e focado muito mais na natação e ciclismo. Além disso, aqueles minutinhos de alongamento estão sendo seguidos minuto por minuto (e dói viu). O DrCool de gelo tem sido meu melhor amigo após treinos. E as fisios logo vão começar. O “pace” baixou bastante, mas já estou correndo 5 a 7km sem dor. Tem que ter muita paciência, persistência e ânimo.

O que fica de lição é observar cada dia mais o corpo, entender os limites, e seguir as orientações de profissionais – médico, fisio, e treinador têm de estar lado a lado. Com certeza, a prevenção é muito melhor que o tratamento e leva menos tempo. Ainda, muito mais barata – o tratamento com fisioterapia aqui no Canadá custa muito caro, mesmo o seguro cobrindo parte desse valor – quando mexe no nosso bolso dói muito mais, né? Hahahaha. E para quem acompanha o blog: ALONGUEM!! Se cuidem, escutem seu corpo, procurem ajuda!!!!

Quem ainda quiser saber um pouco mais sobre a síndrome da banda iliotibial, esse vídeo é bem explicativo (inglês):

https://www.youtube.com/watch?v=l-4klP_BpE8

 

 

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