2017 está aí: como planejar seu ano de competições?
Dicas |  09 de dezembro de 2016
chegada

Planejar o calendário de provas para o ano: questão que assombra muitos dos atletas (amadores ou não) em geral. Há muitas e novas provas abrindo em todos os cantos do mundo (o que é ótimo), pena faltar tempo, dinheiro, e corpo para tantas competições. Quem mora em cidades com mais acesso a competições tira vantagem disso, porém, pessoas como eu que moro um pouco distante de tudo tem de planejar e muito bem. E, mesmo assim, é muito difícil focar. Conversei com amigos mais experientes, outros nem tanto, li alguns post em sites relacionados à triathlon… E não tem muito segredo.

O planejamento é diretamente proporcional às condições de treino e ao tempo que cada atleta está disposto a dedicar ao esporte (isso inclui todos tipos de treinos, além de descanso, e alimentação). O treinamento no Canadá (diferente do Brasil) é dificultado pelas condições climáticas (pode chegar a -45oC por volta de janeiro). Além disso, não há competições em praticamente nenhuma província durante o inverno – como vocês devem saber grande maioria dos lagos congelam (até mesmo o mar). Portanto, o inverno é conhecido como “off-season”. O que quero dizer com isso? Basicamente, um período “sem competições”, visto que competições são restritas à primavera-verão, podendo se estender ao outono – mas acreditem, nadar em água abaixo de 18oC é sofrido.

Vejo esse planejamento de provas como faço meu planejamento para qualquer coisa: por tudo na ponta do lápis e estudar as melhores opções. Seja comprar uma bike nova, um experimento longo e, por fim, aquela competição sonhada. Separei algumas dicas e acho que ajuda bastante:

1) Definir objetivos e nível de comprometimento

É preciso definir qual seria a prova “chave”, o objetivo do ano, como: “fazer o primeiro triathlon? Qual distância?”;  “correr uma maratona?”; “Completar uma prova de IM?”; “Tempo específico para terminar uma prova, como sub 10 h no IM? “Chegar ao mundial do Ironman em 2018?”, enfim, essas são perguntas básicas que devem ser feitas. Após definido o objetivo, é preciso determinar o nível de comprometimento que o atleta está disposto a “gastar” com esse objetivo, afinal, não existe prova terminada sem treino e esforço. Tem que ir tudo para  a ponta do lápis.

 

2) Dinheiro em caixa para as competições

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Toda competição requer preparo e ,investimento. Infelizmente, triathlon é um esporte caro, afinal são 3 modalidades em 1 esporte. Deve-se levar em conta coisas como: valor de inscrição, suplementação (gel, whey, bcaa, e afins), visitas ao médico / nutri / fisioterapeuta, gasto com treinos em geral, como deslocamento, além de equipamentos , como câmara para pneu, pneus novos, CO2, lavagem  e manutenção da bike, tênis, sapatilha, macaquinho, meias compressão, maiô/sunga, óculos, case para bike, etc. OBS: ainda tem a questão de que as provas de IM, por exemplo, são em dólar e, por isso, um valor BEM salgado.

 

3) Época do ano da competição foco

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Por que isso é importante? Por exemplo, fazer uma prova no começo de Abril para mim que vou estar apenas iniciando os treinos outdoor (falando com otimismo), não faz sentido. Além disso, provas em novembro (mesmo que em outro país, como sul dos EUA), no final da temporada, os dias para treino podem ser mais curtos e começar a fazer frio (geada e até neve), afetando treinos longos e colocando em risco a saúde. Provavelmente, seria uma boa ideia provas no final de julho (como o 70.3 de Calgary ou Ohio) ou até mesmo arriscar o de Cozumel em meados de setembro.

 

4) Local da prova

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Um ponto bem importante que, além do custo, envolve todo um desgaste e preparação física. Ao escolher o local da prova objetivo, deve-se levar em conta o tempo de viagem (como vir para Saskatoon que leva um dia), além do fuso, que pode afetar o sono e horários para refeições. Ou então aquela prova de triathlon que a própria cidade oferece, como o que fiz 5i50 aqui em Saskatoon, não tem preço dormir na própria cama, saber como chegar aos lugares, ter nadado, pedalado e corrido já no local da prova. Uma boa dia aos casados é: escolher uma prova em que tenha atração para ambos… Assim a esposa/marido não fica chateada(o) ou entediada(o), sendo uma boa companhia e você aproveita a prova sem problemas.

 

5) Percurso

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Escolher um percurso que otimize seus pontos fortes e trabalhe bem com os pontos fracos é sempre uma boa ideia. Uma dica é ler reviews de outros atletas, race reports. Por exemplo, um atleta que treina em regiões com elevada altitude e várias montanhas, pode ter uma vantagem sobre atletas que treinam ao nível do mar treinando apenas em terrenos planos.

 

6) Põe uma estrelinha nesse: progresso na temporada

Você já deve ter ouvido falar que uma prova dá suporte à outra para atingir seus objetivos, né? E é verdade, pois permite que você pratique a técnica, transições, e tudo em uma mentalidade de “prova” e “competição”, onde a adrenalina nem se compara aos simulados (mas que também são importantes). Além disso, essas provas dão um bom parâmetro de tempo, pontos que devem ser melhorados, e como direcionar os próximos treinos.

Uma sugestão sempre é progredir na distância, por exemplo, se o objetivo é um IM 70.3, seria interessante fazer um sprint, seguido de olímpico, além de provas de duathlon, ciclismo, corrida, maratonas aquáticas, que podem servir como bom foco se o objetivo é melhorar uma modalidade específica. O Training Peaks fez um quadro bem interessante sobre semanas que uma competição (em média) deve ser feita até a próxima prova. Veja que legal:

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Este gráfico mostra o tempo recomendado (em semanas) depois de fazer uma prova antes de fazer outra. Por exemplo, se o atleta fizer o IRONMAN Florida em novembro e quiser fazer um 70.3 antes, deve escolher uma prova que seja 5-8 semanas antes, como por exemplo, o IRONMAN 70.3 Atlantic City em setembro (além do curso plano e natação no mar ). Tenha em mente que estas são orientações sugeridas. Você e seu treinador podem decidir seguir diretrizes diferentes.

Enfim, o calendário de 2017 está com muitas provas boas, planejamento juntamente com seu coach é fundamental. E aí vocês vão me perguntar: e você? No momento só quero focar em recuperar do meu joelho para poder fazer um bom plano de como será o próximo ano. Mas estou bastante confiante que estarei de volta logo! Portanto, é preciso definir o foco e os objetivos para terminar o ano com o saldo positivo, sem lesões, e calendário completo!

 

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